Jô Soares – No motel

José Eugênio Soares, além de ser, um dos mais conhecidos apresentadores de TV dos últimos tempos (no estilo, entrevistas), é também ator, diretor, humorista e escritor. Seus livros mais conhecidos são: “O Homem que Matou Getúlio Vargas” e “Assassinatos na Academia Brasileira de Letras”.

Na televisão começou em 1967 em “Família Trapo”, participou de vários outros programas, mas seu grande sucesso surgiu mesmo em “Viva o Gordo” (seu primeiro programa solo em 1981). Hoje, como muitos sabem, apresenta o “Programa do Jô” pela Rede Globo de Televisão e pela CBN.

“Nunca faça graça de graça. Você é humorista, não político.”

Jô Soares

Apresentador de TV

***

“Quando me casei pela primeira vez a uns bons 25 anos atrás, minha primeira mulher me achava um tesão, descasei depois de 21 anos e me juntei com outra mulher e essa já me achava um pesão!

Daí estive refletindo e há certas coisas que me incomodam… Algumas ocasiões são realmente muito desagradáveis na vida de um gordo. Ir a um motel, com toda certeza, é uma delas. Tudo em um motel parece que foi projetado minuciosamente para sacanear com a cara dos obesos.

Reparem só.

Na grande maioria desses estabelecimentos é preciso subir uma escadaria para chegar ao quarto. Isso não se faz. Ou o gordo trepa ou sobe escada. As duas coisas no mesmo dia são impraticáveis.

O gordo chega tão esgotado no quarto que parece até que já deu duas no caminho. A parceira, então, propõe uma hidromassagem para relaxar. O que, na verdade, quer dizer:

‘Por que você não vai tomar banho, seu gordo sebento?’.

Já na banheira, o gordo percebe que nem a água quer ficar com ele. Metade cai fora, preferindo manter uma relação mais íntima com o chão do banheiro. Dá um friozinho na barriga, até porque parte da barriga, como um iceberg, fica pra fora da espuma.

Mas é na saída do banho que a situação fica ainda mais ridícula. Chega o fatídico momento de colocar o roupão, é triste, com algum esforço o cinto até fecha, mas o roupão não. Fica aquele decote tipo Luma de Oliveira, que dá pra ver até o umbigo. Só que no lugar da Luma está o Jô, saca? É constrangedor.

Quando o gordo finalmente chega ao quarto, a situação consegue ficar ainda pior. Se um elefante incomoda muita gente, dez elefantes de roupão refletidos nos espelhos incomodam muito mais. Para que tanto espelho? Se o próprio gordo já fica mal, imagina a parceira cercada  pela manada? Se eu fosse ela, não dava mais de comer aos animais.

Mas de todos os espelhos o mais cruel, sem dúvida, é o do teto. A vista é estarrecedora. Dá até para entender por que a maioria das mulheres transa com os olhos fechados.
Acho que a única utilidade de tantos espelhos é prá gente conseguir ver o pinto que a barriga não deixa a gente ver há muitos anos. Já faço até xixi no piloto automático.

Eu, como sou um gordo experiente, uso uma tática infalível: ligo o ar-condicionado no máximo para forçar o uso do lençol. Afinal, o que os olhos não vêem…”

 

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